«A expectativa não estava muito alta quando peguei no Leviatã (o livro, não a baleia gigante transformada pelos Darwinistas), ao contrário da curiosidade, porque pela sinopse e pelo que conheço de Scott Westerfeld, a história só podia estar recheada de originalidade e acção.
E neste último ponto não fiquei desiludida. Acção, descrições maravilhosas e facilmente imagináveis, e originalidade tanto nas personagens como nos cenários, transportam-nos para um mundo de muita coragem e companheirismo. Gostei do facto do livro começar com duas histórias distintas e da maneira como o escritor, mais ou menos a meio, fundiu as duas e as misturar. Além disso, ele continua a alternar os POV, o que torna tudo mais completo e permite ao leitor conhecer melhor as personagens, tal como viver melhor certas experiências em que cada uma é melhor.
Gostei também das personagens, tanto das principais como das secundárias. Deryn Sharp é a minha preferida, pois acaba por ser o estereótipo das que prefiro: feminina de género, mas com atitudes, sentimentos e personalidade muito fortes e nada típicas de menina. Achei-a bastante corajosa e inteligente, o que acaba por entrar em sintonia com o Alex. De resto, achei toda a equipa de Alex bastante divertida e descontraída, tal como os companheiros de Deryn e a dra. Barlow. Mas o que mais gostei mesmo foram os animais, ou as espécies alteradas, que a meu ver, foram o que tornou o Leviatã tão único e original.
Em relação ao livro em si, achei as letras muito pequenas, pelo menos em relação ao tamanho do livro. A minha opinião em relação às ilustrações ainda está um pouco indefinida, visto que por um lado acho-as muitos infantis (a ideia não as ilustrações, que por sinal estão muito bem feitas), mas por outro acabam por reforçar e por nos ajudar a imaginar as máquinas que Scott nos descreve.
No geral, a minha opinião é bastante positiva, mas penso que mesmo assim, Scott Westerfeld podia ter tornado tudo muito mais complexo e não tanto juvenil, que penso que é sempre a falha que lhe aponto em todas as obras que leio dele. De qualquer forma, vou continuar a seguir esta saga, já que estou desejosa de saber o que irá acontecer a Alex e a Deryn quando souberem de toda a verdade.»
http://portugalcreative.blogspot.com/2011/09/opiniao-literaria-leviata-scott.html
- Inês (Portugal Creative)
Aleksandar é o herdeiro do trono austro-húngaro... mas está em fuga. Apenas pode contar com a velha máquina de guerra que é o seu refúgio e forma de deslocação e com a lealdade dos quatro homens que o acompanham. Deryn é uma rapariga britânica que, para alimentar o seu desejo de voar, decide disfarçar-se de rapaz e tornar-se soldado. Mas os tempos são instáveis e, apesar de todas as diferenças do mundo em que vivem, a I Guerra Mundial está iminente. E, mesmo que em lados diferentes do conflito, os caminhos de Alek e Deryn irão cruzar-se.
Algo que, desde cedo, chama a atenção neste livro é a forma como o autor constrói a sua realidade alternativa, fundindo elementos históricos com um nível completamente diferente de tecnologia e alterando eventos cruciais ao mesmo tempo que desenvolve um cenário onde os paralelismos com o nosso mundo são bastante evidentes. O desenrolar dos acontecimentos que conduzem à guerra, bem como a apresentação das diferentes armas de ambos os lados do conflito criam para a aventura dos seus protagonistas uma base sólida, cativante, e cheia de elementos interessantes para descobrir.
Também o enredo tem muito de interessante, tanto na visão mais global das forças em conflito como na história mais pessoal de Alek e Deryn. Alek, criado em berço de ouro, mas com os valores e o coração no sítio certo, marca pelos seus momentos de falibilidade, pelo crescimento através da perda e, principalmente, pela vontade de fazer o que está certo - mesmo quando as consequências da boa acção não são as melhores. Deryn, por sua vez, surpreende pela persistência e pela forma como luta para manter o seu pequeno segredo, ao mesmo tempo que tenta atingir a excelência em tudo o que faz. Mas nem só dos protagonistas vive a história e há bastantes elementos de interesse nas personagens mais secundárias, principalmente na Dra. Barlow, com os seus segredos e a sua estranha diplomacia, bem como no conde Volger, com os seus planos e acções meticulosamente definidos.
Com uma história interessante, que não se limita aos dilemas pessoais dos seus jovens protagonistas, completando-se antes com um cenário muitíssimo interessante e um enredo cheio de acção, Leviatã abre em beleza uma história que, a julgar por este primeiro volume, tem ainda muito para oferecer. Muito bom.»
http://asleiturasdocorvo.blogspot.com/2011/08/leviata-scott-westerfeld.html
- Carla Ribeiro (Blogue As Leituras do Corco)