Fatos-chave sobre “Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago:

  • Autor: José Saramago
  • Publicação: 1995
  • Antecedente: Três anos antes de Saramago receber o Nobel de Literatura.
  • Intenção do Autor: Procurou provocar no leitor um sofrimento comparável ao que teve ao escrever, através de uma narrativa terrível e brutal.
  • Estilo Narrativo: Mistura de discurso direto e indireto sem uso convencional de parágrafos ou aspas, criando um texto inicialmente desafiador mas acessível com a progressão da leitura.
  • Início da História: A trama inicia com um motorista que fica cego subitamente no trânsito, marcando o começo de uma epidemia de cegueira inexplicável.
  • Personagens: Identificados por características simples ou funções, sem nomes próprios.
  • Tema Central: Uma crítica ao capitalismo e à condição humana, usando a epidemia de cegueira como metáfora para explorar a perda de esperança e a verdadeira natureza da humanidade.
  • Mensagem: A obra sugere que a humanidade é intrinsecamente selvagem e egoísta, necessitando de uma reestruturação social que, para Saramago, poderia ser o comunismo.
  • Adaptação Cinematográfica: Realizada por Fernando Meirelles em 2008, com Julianne Moore e Gael García Bernal.

“Ensaio Sobre a Cegueira” é uma obra marcante do autor português José Saramago, publicada em 1995, pouco antes de ser laureado com o Nobel de Literatura.

Durante a apresentação do livro, Saramago expressou: “Este livro, de natureza profundamente perturbadora, foi escrito com a intenção de provocar no leitor um impacto semelhante ao desconforto que senti ao redigi-lo. Trata-se de uma narrativa crua e agressiva, refletindo uma das experiências mais aflitivas da minha vida, ao longo de 300 páginas repletas de tensão. Por meio desta obra, busquei transmitir a mensagem de que a bondade humana é falha e que é preciso bravura para admiti-lo”.

Em “Ensaio Sobre a Cegueira”, Saramago emprega uma técnica narrativa única, que entrelaça o discurso direto e indireto sem o uso tradicional de parágrafos, travessões ou aspas. O diálogo é inserido entre vírgulas, e o autor recorre ao uso de maiúsculas para distinguir as falas, criando um estilo de escrita denso, que pode parecer desafiador a princípio, mas que se torna mais acessível à medida que a leitura avança.

A trama é deflagrada pelo súbito surto de cegueira de um motorista num semáforo, desencadeando uma epidemia inexplicável que lança a cidade no caos, forçando os habitantes a enfrentarem o isolamento e o abandono.

Os personagens são identificados por características simples ou papéis, como a esposa do médico, o menino com estrabismo, a mulher de óculos escuros, entre outros, criando uma universalidade na representação humana.

Além de ser uma história sobre uma epidemia fictícia, a obra serve como uma alegoria crítica ao capitalismo. Por meio da personagem da esposa do médico, Saramago explora a perda de esperança e a revelação de que a verdadeira cegueira é a incapacidade de perceber a realidade. A sociedade cega se degrada em violência e egoísmo, expondo as piores facetas da natureza humana em uma luta desesperada pela sobrevivência.

Saramago utiliza a metáfora da cegueira para criticar a condição humana, sugerindo que a selvageria, o egoísmo e os instintos primitivos dominam o ser humano, que, segundo ele, só poderia ser redimido por meio da ordem e justiça social oferecidas pelo comunismo.

Apesar da resistência inicial de Saramago em adaptar a obra para o cinema, “Ensaio Sobre a Cegueira” foi finalmente levado às telas em 13 de novembro de 2008 pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles, com Julianne Moore e Gael García Bernal nos papéis principais, expandindo o alcance e a discussão provocada pela perturbadora visão do autor.